Resiliência. Essa palavra que está tão em evidência ultimamente é um termo que tem origem na Física e denomina a capacidade de um corpo, após deformar-se pela influência de agentes externos, retornar à sua forma inicial. Do campo da Física, o termo passou a ser usado no estudo do comportamento humano, assim, resiliência hoje designa a capacidade que as pessoas têm de, diante de grandes adversidades, buscarem dentro de si um impulso vital que as ajuda a superar difíceis problemas, como também define o dicionário : “ capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças.”

Talvez por isso o tema esteja se tornando mais conhecido, porque mudanças e más sortes são certas e inevitáveis. E o ser humano, adaptativo por natureza , procura maneiras de passar por essas experiências e superá-las.

Como já dissemos aqui, toda experiência difícil e dolorosa pode ser também uma oportunidade de crescimento, de redescobertas, a famosa história de que ostra feliz não faz pérola, ou ainda nas palavras de Nietzsche: “Eu vos digo: é preciso, às vezes, ter um pouco de caos dentro de si, para poder dar à luz uma estrela dançante.”

Devemos extrair da vida o potencial de aprendizado de cada situação vivida. Talvez um caminho seja mudar a visão, não buscar a causa, mas a finalidade. Talvez a melhor pergunta não seja : por que? , mas: para quê? Qual a finalidade disso que me aconteceu? Que transformações isso pode me trazer? E aí entra a nossa capacidade de mudanças.

Mudar é inerente à vida. De acordo com a ciência, biologicamente falando,  toda célula do corpo humano se regenera em média a cada sete anos, nosso corpo está em constante mudança e adaptação para garantir sua sobrevivência.  Mas essas mudanças biológicas acontecem involuntariamente, sem nos exigir nenhum esforço ou trabalho. Já mudar diante das adversidades é um difícil movimento que só depende de nós.

Quando o assunto é mudança, acho interessante a analogia com a relação entre o carvão e o diamante natural. O diamante natural é o resultado das mudanças ocorridas no carvão sob a ação do tempo e de fortíssimas e altíssimas pressões e temperaturas. Ambos possuem a mesma composição. O que os difere é a maneira como essa composição se estruturou após as mudanças à que foi exposta. Ou seja, voltamos a resiliência, capacidade de se adaptar às adversidades expostas. Assim somos nós. Se soubermos enfrentar as pressões, dificuldades e adaptações que a vida traz em si e são inerentes a todo ser humano – poderemos nos estruturar de tal forma que o resultado final será um material muito mais belo que o primeiro.

Sabemos que não é um processo fácil, são atitudes que exigem coragem e um verdadeiro pertencer a si mesmo, mas que lhe permitirão determinar como termina a história. Como colocou Freud: “Todos os tipos de diferentes fatores operarão a fim de dirigir sua escolha. É uma questão de quanta força sente à sua disposição para alterar o mundo.”

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