Hoje em dia fala-se muito da importância de reciprocidade nas relações humanas. Mas sabemos ao certo o que significa essa palavra? Segundo o dicionário o caráter reciproco indica correspondência mutua.   Do latim reciprocĭtas, algo recíproco é aquilo que se faz como devolução, troca.

Essa é a definição da palavra, mas dentro dela ainda cabem muitas outras, na verdade a definição de reciprocidade é de cada um. Para uns reciprocidade é aquele amigo que quando você passa tempos sem aparecer, te liga para saber como você está. Para outros reciprocidade é aquele parceiro que percebendo que teve um dia difícil, prepara o seu prato preferido naquela noite.

A reciprocidade aparece, ou falta, exatamente aí, nos pequenos gestos do dia a dia. Você a percebe quanto a pessoa te devolve aquilo que você dá, nem mais e nem menos. E sente a sua falta quando tudo aquilo que lançou ao outro, que lançou na relação não te retorna. É uma relação com via de mão única, só um vai, só um fala, só um cede. A reciprocidade consiste exatamente em transformar relações em vias de mão dupla, é só assim que existe o movimento, a troca e a sensação de que ambos são amados.

No entanto buscar reciprocidade em minhas relações é bem diferente de sempre agir esperando algo em troca, diferente de me doar e exigir o mesmo do outro. A reciprocidade é algo natural, acontece sem pressão, porque o outro pensa e sente da mesma maneira. Se estou em uma relação onde só eu invisto e não tenho retorno, talvez seja mais assertivo entender que o outro não compartilha das minhas necessidades e desejos; ao invés de cobrar e exigir aquilo que não se cobra e nem se exige: doação, amor, parceria. E sempre considerando que aquele que não me devolve o que eu ofereço não é o vilão da história, talvez estejamos apenas esperando coisas diferentes dessa relação.

Talvez o mais assertivo seja  procurar uma relação onde isso aconteça naturalmente, por vontade e desejo de ambos, uma relação verdadeiramente reciproca. E é claro, sempre analisar o meu padrão de comportamento nessas relações. Se estou me doando demais e fazendo exigências egoístas, não é nem justo que o outro corresponda. Deve ser reciproco aquilo que é saudável, prazeroso, leve.

Cada um só pode oferecer ao outro, aquilo que tem dentro de si. Portanto se eu ofereço amor, parceria, transparência, sorrisos, inteireza, é isso que devo buscar,   alguém que tenha o mesmo dentro de si e  assim possa me oferecer tudo isso de volta. Como disse Clarice Lispector: “Até onde posso vou deixando o melhor de mim… Se alguém não viu, foi porque não me sentiu com o coração”

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