Recentemente um vídeo intitulado “A parte que falta” viralizou na internet, contando a história de um livro com o mesmo nome.

Esse livro conta a história de uma busca pela parte que falta, de momentos em que essa parte parece preencher quem a busca e de momentos em que volta a fazer falta.

Embora se trate de um livro infantil, fala de um movimento que reproduzimos a vida toda : buscar, se preencher, se esvaziar e buscar novamente. A final de contas, ninguém gosta de se sentir com uma parte faltando, todos gostamos de nos sentir completos.

Mas a reflexão deste livro é justamente essa: tudo bem ser incompleto, tudo bem ter uma parte faltante. Até porque essa completude é uma ilusão, não há nada e nem ninguém com essa capacidade, é aliás um peso grande demais para o outro.

Mas mesmo sabendo disso seguimos buscando. Buscamos em relações, buscamos em trabalho, buscamos em bens materiais, buscamos em títulos e status.  Por quê?
Talvez porque seja preciso muita coragem para carregar nossos espaços vazios. Espaços que não foram preenchidos durante nossa vida, espaços que um dia foram cheios e em determinado momento se esvaziaram. Vejam que curioso paradoxo: vazios que pesam.

E se soubermos aceitar e suportar nossos vazios, não precisaremos desesperada e indiscriminadamente preenche-los. Não colocaremos algo que não desejamos ou não precisamos em nossas vidas apenas para sentirmos que a estamos preenchendo. Não nos manteremos em situações que nos fazem mais felizes apenas para preencher vazio.

Entender que a vida fala sobre movimento, sobre se encher e esvaziar, sobre completar e faltar, sobre ser e não ser, nos faz mais livres. Livres para nos esvaziarmos sem culpa, livres para termos partes faltantes sem que isso nos diminua. E então surge uma grande descoberta e outro um curioso paradoxo : o vazio que antes pesava, agora é vazio que preenche.

E como sabiamente disse Rubem Alves: “A vida precisa do vazio:
a lagarta dorme num vazio chamado casulo até se transformar em borboleta.
A música precisa de um vazio chamado silêncio para ser ouvida.
Um poema precisa do vazio da folha de papel em branco para ser escrito.
E as pessoas, para serem belas e amadas, precisam ter um vazio dentro delas.”

Portanto, se permita esvaziar, isso pode te fazer mais “cheio”.
 

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