Vivemos no tempo presente. Essa frase parece óbvia, mas traz consigo uma das maiores dificuldades da vida moderna: viver o agora. Porque é tão difícil estarmos presente no nosso presente? Por que estamos sempre em outro tempo?

Sem que nem percebamos, vivemos muito mais oscilando entre nosso passado e nosso futuro. Ou estamos presos em vivências do passado ou preocupados com o que viveremos no futuro. Ou seja, duas situações pelas quais não há nada a se fazer. O passado já se foi, não se muda, e o futuro é sempre inatingível, ele não chega nunca.

Nosso estilo de vida agitado tem produzido cada vez mais pessoas ansiosas, que acordam pensando no que farão à noite e dormem se lamentando do que não fizeram durante o dia. Pessoas que não sentem o gosto do café, e nem a sensação de uma mente relaxada ao fim do dia. E tudo isso por quê?

Talvez por estamos sempre querendo ser melhores, queríamos ter sido melhores em nossos passados, queremos ser melhores no nosso futuro. E assim, vamos sendo piores em nosso presente, sem pensar que é exatamente esse presente que determinará meu futuro, é do hoje que se constrói o amanhã.

E o hoje é tão cheio de vida, tão cheio de oportunidades e sensações que não nos damos a chance de viver. O hoje é tudo o que temos, é tudo o que existe.

Muito comum ouvirmos coisas do tipo; “mas quando isso acontecer, quando eu comprar uma casa maior, quando eu trocar de carro, quando eu for promovido, aí vou aproveitar mais a vida”. Mas quando ( e se)  esse momento chegar, ele deixará de ser futuro e se tornará presente. E nossa mente, já condicionada a viver no futuro, não saberá desfrutar desse momento, e logo criará uma nova condição futura para ser feliz. E assim vivemos nesse ciclo vicioso, de buscas e insatisfações.

Não digo aqui que planos e projetos futuros são questões negativas, bem pelo contrário. São importantes para nosso crescimento. Mas eles devem nos mover para o amanhã, não nos cegar para o hoje. Eles devem nos fazer caminhar, mas de olhos e coração abertos para aproveitar e sentir o caminho.

Ao contrário do que pensamos, nossa felicidade está no trajeto, não no destino. E o trajeto é o hoje, o dia a dia, a conversa com os amigos, o cafuné na pessoa amada, aquela comida gostosa que perfuma a casa, aquele livro no fim da tarde.

Como diz Gregório Duvivier: Em geral, quando não estou aqui, estou num lugar em que eu já estive mas, quando eu estive, não estava, ou estou nos lugares em que um dia estarei mas, no dia em que estiver, talvez eu já não esteja mais. Raramente encontro comigo mesmo.”

Portanto, encontre mais consigo mesmo, para uma pausa e uma boa conversa, e depois continue o caminho.

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