Por que é tão difícil encerrar uma relação? Por que é tão difícil retirarmos uma pessoa do nosso convívio?

Geralmente deduzimos que uma relação se acaba porque não há mais amor, porque aquelas pessoas não querem mais estar juntas. Na maioria dos casos isso é verdade, mas não é uma regra. Da mesma forma que há muitos motivos para duas pessoas se unirem, além do amor, há também muitos motivos para que se separem, além da falta dele.

Em muitos casos ainda existe o sentimento, mas existe também a certeza de que ele não resiste em meio a tantas diferenças e adversidades. Talvez essa seja uma separação mais dolorida, pois ela carrega consigo além da dor da perda, a dor do “poderia ter sido diferente”.

Mesmo uma separação desejada traz consigo muito sofrimento. Ainda que eu não ame mais aquela pessoa, muitas vezes eu ainda amo o que planejei viver com ela. Pois você não se separa apenas do outro, você diz adeus também aos planos que construiu com ele, aos projetos futuros, aos amigos, à família, a rotina que tinham juntos. São muitas perdas em uma só. Perde-se com aquela pessoa, aquela viagem que gostariam de ter feito, aquela casa que gostariam de morar, os jantares que serviriam aos amigos, os filhos que gostariam de ter,  tudo que gostariam de ter compartilhado e não compartilharam. Como diz Drummond: “Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram”

Há ainda aqueles casos onde a parte mais difícil da relação acaba levando ao seu fim, mas existe uma outra parte muito boa, mas que não é suficiente para mantê-la. Nesse caso eu me separo por não mais suportar as dificuldades, mas com isso abro mão também de uma série de coisas que me faziam bem. E se desfazer dessas coisas é bastante dolorido.

Portanto podemos pensar que a separação é tão difícil, pois ela não fala apenas de duas pessoas, ela fala de duas vidas, com seus sonhos e planos. E ao me separar de alguém, eu me separo também de tudo o que poderia ter sido, e não foi.

E nesses casos não há muito que se fazer além de viver essa dor até que ela se cicatrize (porque sim, ela cicatriza) e elaborar o luto dessa relação. É superando essa perda que se faz novo para uma outra relação. Nesse momento vale o clichê: o tempo cura tudo. O que dói hoje, vai doer um pouco menos amanhã e uma hora essa dor vai cessar, dando espaço para novos e bons sentimentos.

E se hoje há a dor da separação é sinal que um dia houve a coragem de tentar, de se arriscar. Finalizando com Vinicius: Porque a vida só se dá pra quem se deu, pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu”

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