Ela precisa de espaço, gosta de ter os seus momentos e cultiva seus próprios prazeres. Ele é inseguro, precisa sempre estar sempre por perto para se sentir bem e gosta de companhia para tudo aquilo que faz. Ela precisa de liberdade, ele de segurança.

Um exemplo bastante comum do que acontece em muitos relacionamentos. Necessidades emocionais diferentes. Cada um dentro do seu funcionamento, que tem a ver com sua personalidade e sua história de vida, busca algo diferente na relação. E isso faz parte daquilo que chamamos de individualidade, tão importante e também tão ignorada em nossas relações amorosas.

Geralmente em uma situação como essa, é natural que ela se sinta sufocada pela necessidade de segurança dele, e ele menosprezado pela necessidade de liberdade dela. Temos aqui então, duas pessoas julgando uma a outra, pela sua própria necessidade.

Por exemplo, se eu preciso estar sempre próximo para me sentir seguro ao lado do outro, automaticamente entendo que aquele que não desejar o mesmo, não me ama da mesma maneira que eu  amo. Ou seja, utilizamos as nossas necessidades, a nossa maneira de sentir como uma unidade de medida do amor, desconsiderando assim, a necessidade e o funcionamento do outro.

Isso significa então que duas pessoas com necessidades emocionais diferentes não podem se relacionar? Obviamente não. As necessidades geralmente são diferentes, mas também podem ser conciliáveis. Daí a importância de refletirmos sobre o assunto e buscarmos compreender quais são as nossas necessidades na relação e as quais são as necessidades do outro. Entendermos que o comportamento de cada um no relacionamento está diretamente influenciado por essas questões.

Se minha necessidade emocional está mais relacionada a questões de liberdade e espaço, posso necessitar menos de contato, posso precisar de mais tempo sozinho ou para outras atividades que não envolvam o outro, e isso não me faz amar menos ou não me importar com a relação.

Essas necessidades estão relacionadas à nossa história de vida, aquilo que nos foi oferecido ou não na infância. Podemos pensar que uma criança emocionalmente nutrida pelos pais, crescerá se sentindo mais segura e amada, necessitando buscar menos isso em uma relação. Da mesma forma que aquela criança que não recebeu o afeto que necessitava, poderá em sua vida adulta buscar essa segurança em seu parceiro. Claro que quando falamos de indivíduos, nada é tão matemático assim, mas procurar entender essa relação pode nos ajudar a evitar julgamentos.

Portanto, para cultivarmos relações mais saudáveis e equilibradas, podemos começar respondendo algumas questões: Qual a minha necessidade emocional? Qual a necessidade do meu parceiro? Como sermos mais tolerantes com o que o outro busca e precisa?

Autoconhecimento , além do melhor investimento que podemos fazer por nós mesmos, é também um ótimo caminho para relações mais leves e felizes.

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