Entre as muitas concessões que a vida nos impõe, às vezes fica difícil saber quando devemos ser flexíveis e abrir mão de algo, ou quando devemos bater o pé por aquilo que queremos.

Costumo pensar que não exista uma regra para isso, é uma decisão particular, de cada um. Talvez a única regra que valha para todos é: não dá pra desistir de tudo o que se quer, assim como não dá pra exigir que tudo aconteça como desejamos. Essas duas decisões de caminho aparentemente opostos, têm ao seu fim o mesmo destino: a frustração. Ou seja, recomenda-se uma dose de flexibilidade aqui, uma dose de determinação ali. Mas quando usar cada uma dessas doses? Como saber quando é hora de aceitar e quando é hora de insistir?

Talvez seja importante analisar antes se aquela situação, e tudo que a envolve é algo vital para sua felicidade. Aquilo que é vital não se desiste, não se abre mão, pois o que é vital é justamente o que te mantem vivo e em movimento, aquilo que é condição ou ingrediente necessário e essencial. E tudo aquilo que está fora dessa condição deve ter um peso menor em nossas vidas. É importante pensarmos sobre isso para darmos dimensões reais às coisas que nos cercam. Será que muitas vezes não estamos brigando por coisas pequenas e desistindo daquilo que realmente nos importa?

Desistindo daquela situação sine qua non. Esse termo que tem sua origem no latim, nos traz exatamente essa questão do ser vital. Sine qua non significa “sem o qual não”, ou seja sem o qual não se pode viver, sem o qual não se pode ser feliz, sem o qual não se pode seguir. É o indiscutível.

Diante disso, tente então responder: quais as condições “sine qua non” da sua vida? Quais situações são vitais para sua felicidade? Tendo essas respostas já fica bem mais fácil escolher quando abdicar ou não de algo.

Porque é preciso escolher, a vida está sempre nos colocando suas possibilidades, para que cada um, dentro dos seus desejos e realidade, faça suas escolhas. Como disse Rubem Alves: “não há tempo para tudo. É necessário aprender a arte de abrir mão, a fim de nos dedicarmos aquilo que é essencial”

E se pensar nessa escolha lhe parece muito difícil, entenda que essa resposta nem sempre está no pensamento. Lembre-se daquela famosa frase do Pequeno Príncipe, que nos diz que “só se vê bem com o coração”, o que por sinal também foi dito por Jung : “Sua visão se tornará clara somente quando você olhar para dentro do seu coração.”. Então, talvez sua resposta esteja por lá. Pois o essencial pode até ser invisível aos olhos, mas nunca será aos sentimentos, aliás é exatamente ali que o essencial nasce e se mantém.

 

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