Todos já sabemos que cada experiência vivida, seja ela boa ou ruim, acaba por nos deixar marcas, às vezes suaves, outras mais profundas. E com o passar dos anos, lá estamos nós cheios de marcas do passado, que muitas vezes determinam nossa forma de ser no presente.

Parece ser um movimento natural e sem muita escapatória. Talvez seja mesmo difícil evitar que as experiências nos deixem marcas, e nem deveríamos, pois elas são importantes, contam a nossa história. Mas o que fazer com essas marcas é sempre uma escolha.

Sabe aquela famosa história: Já me machuquei tanto, que agora me fechei? Ou então, já me decepcionei tanto, que agora não me envolvo mais.  Já fui tão enganado, que daqui pra frente só vou pensar em mim? Então, até que ponto ela é justa conosco e com o outro? Até que ponto é certo projetarmos nossas dores do passado, em pessoas e experiências novas?

Ninguém tem culpa das nossas frustrações do passado. Nenhum relacionamento tem a missão de apagar as marcas do anterior. Colocar esse peso no outro é uma boa maneira de boicotar aquilo que ainda nem começou.

É mais maduro pensarmos que cada um tem a capacidade e responsabilidade de se acertar com as mágoas do passado e seguir em frente. Como diz Jung: “Eu não sou o que me aconteceu. Eu sou o que escolho me tornar”.

Nos escondermos atrás das dores do passado é muitas vezes mais confortável. Nos colocamos como vítimas da nossa própria história. E nos reduzimos a meros produtos dos fatos, isentando nossa responsabilidade em elaborarmos as perdas e frustrações passadas, e assim nos fazermos novos para experiências e relações futuras.

Se no passado tive um parceiro que me decepcionou, isso determina que o próximo fará o mesmo? Se um amigo foi desleal, isso implica que todos agora serão? É uma dedução ilógica, muito mais baseada no nosso medo de que a história se repita. Mas não, ela não precisa se repetir. Cada pessoa é única, cada relação também. Até porque, essa pessoa que estamos responsabilizando por curar minhas feridas do passado, também tem as dela. Todo mundo tem um passado, e a responsabilidade de se acertar com ele para seguir em frente.

É certo que não podemos zerar o passado e apagar tudo o que vivemos e sentimos. Mas essas experiências devem ocupar o lugar de algo que te trouxe até o momento presente. Deve representar nossa trajetória, e não algo que determina meu futuro.

Portanto, não se esconda atrás das marcas do passado, e muito menos deposite no outro a responsabilidade de apagá-las. As aceite como parte da sua trajetória e amadurecimento, e permita que novas pessoas e novas relações construam sua própria história.

 

 

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