Livre arbítrio. Palavra que fala de liberdade, mas que fala mais ainda de responsabilidade. Segundo o dicionário livre arbítrio é a oportunidade ou possibilidade de tomar decisões por vontade própria, seguindo o próprio discernimento e não se pautando numa razão, motivo ou causa estabelecida.

Por essa definição podemos entender que o livre arbítrio é uma coisa boa, que nos permite escolher e ter autonomia. E sim, de fato é, algo que nos coloca na condição de indivíduos livres em seus pensamentos e decisões. Mas isso também nos traz um peso enorme: o da responsabilidade por nossos atos ( ou pela omissão deles). A angústia diante da possibilidade de escolher errado.

Se pararmos para analisar um pouco, embora sejamos livres para decidir sobre nossas vidas, estamos frequentemente terceirizando essa responsabilidade. Quantas vezes não decidimos nos manter naquela relação porque o outro “não nos permite sair”? Quantas vezes não deixamos de fazer algo que queremos porque nossos pais não vai aprovar? Quantas vezes não nos movemos para mudar as coisas porque Deus ou o destino quis assim? Será mesmo que essas decisões todas estão nas mãos do outro? Ou nós covardemente as colocamos ?

Acredito que na maioria das vezes esse movimento parte de nós, mas preferimos acreditar que não. E por que fazemos isso? Ora, se o direito de escolher é do outro, o peso da responsabilidade também. E assim me mantenho isento de qualquer culpa, pois nada foi decisão minha. Ficamos então infelizes com nossa realidade, mas confortáveis em não responder por ela. Uma maneira cômoda, mas pouco eficaz de se viver.

Não há como vivermos a vida que desejamos, sem nos colocarmos como responsáveis por ela. É preciso assumirmos o papel de protagonista nessa história. Como diz uma canção que gosto muito: “ora, se não sou eu, quem mais vai decidir o que é bom para mim?”. Eu até posso optar por abrir mão do meu livre arbítrio, mas não serei coerente em me queixar no rumo das coisas, afinal de contas, abri mão da direção.

Nos assumindo como protagonistas da nossa própria história, e assim assumindo também nossas responsabilidades, nos fazemos mais livres para decidir nosso caminho, para escrevermos nossa história. Jung diz que somos todos nós, uma questão colocada no mundo, e assim devemos nós mesmos encontrar nossas respostas, caso contrário estaremos reduzidos à resposta que o mundo nos der.

Portanto se soubermos suportar um pouco mais o peso da decisão, a angustia de decidirmos por nossa própria consciência e emoções, passaremos de criatura para criador, de passageiro para condutor, de indivíduos insatisfeitos com seus caminhos para seres capazes de escrever e reescrever suas histórias, com escolhas boas e outras nem tanto, mas todas suas e verdadeiras.

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